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Wolfgang Weckerle
Tradição e inovação
Por Débora Mendonça
Vindo de Stuttgart, na Alemanha, no final da década de 10 para montar o departamento ótico de uma empresa em Recife (PE), Ernst Weckerle, com apenas 18 anos, percebeu a carência local de conhecimento no setor e retornou ao seu país para aprender mais. Com uma bagagem de conhecimento, voltou ao Brasil apto a abrir sua própria empresa. Seu novo destino foi Salvador e, assim, desde a década de 20, a Bahia tornou-se cenário do trabalho da família Weckerle. Nesta entrevista, o filho de Ernst, Wolfgang Weckerle fala sobre os 56 anos de conquistas da maior rede de óticas do Nordeste.
Fonte: Revista Alshop

AN: A Ernesto é um fenômeno no Nordeste. Como seu pai transformou uma lojinha instalada em um bairro residencial em um sucesso de vendas?

Wolfgang Weckerle: Ele contou com a ajuda de minha mãe, d. Inês, que entrou na sociedade ainda no terceiro ano da empresa. Em 1947, quando abriu sua primeira loja, no bairro da Piedade, nove entre dez comerciantes locais apostavam no seu fracasso. Com um trabalho sério, conquistaram a credibilidade de oftalmologistas e professores da Universidade Federal da Bahia, que se tornaram freqüentadores da ótica, onde trocavam informações técnicas com meu pai. O reconhecimento popular foi uma conseqüência disso.

AN: A segunda geração à frente da administração foi responsável por um impulso expressivo no crescimento da rede. Em que ritmo aconteceu a expansão da Ernesto?

Wolfgang Weckerle: A segunda loja foi aberta dez anos depois da primeira, em 1957, e nove anos depois, em 66, foi aberta a terceira. Meus pais tomaram-se conselheiros da empresa em 1971, passando as cotas da sociedade para os filhos. Meu irmão Wilhem, mais conhecido como Willy, assumiu como diretor comercial e eu, como diretor financeiro. Hélio Gersent, que já era funcionário antigo, também foi promovido a sócio. A partir daí, a empresa cresceu tanto que incorporou uma das suas maiores concorrentes, a ótica Viúva Neves, com seis lojas espalhadas pela cidade. Um ano depois inauguramos o Edifício Ernesto Weckerle na avenida Garibaldi, para centralizar a administração. No mesmo ano, nossa irmã Liselotte, a Lise, assumiu como diretora de marketing. Hoje somos líderes do segmento na Bahia, com 45% do mercado e 15 lojas na Grande Salvador.

AN: Além de comercializar óculos, seu pai também produzia quase que artesanalmente as armações. Qual a importância da manufatura para a empresa hoje?

Wolfgang Weckerle: Sempre desenvolvemos armações, mas o volume de produção aumentou em 1983, com a inauguração de um mega laboratório ótico de última geração no município de Lauro de Freitas (BA). Temos duas marcas próprias, a Sunvilly e a SV, desenhadas pelo Willy e, ao todo, produzimos diariamente mais de 300 óculos. Até pouco tempo, todas as armações eram montadas lá e distribuídas para as lojas pelo sistema de malote. Agora, agilizamos este processo montando a maior parte dos óculos nos pontos-de-venda.

AN: Apesar de hoje não fazer quase nada artesanalmente, alguns serviços que remetem a esse cuidado de personalização do produto está no setor de cine-foto. Oferecer revelação em 1 hora não é mais suficiente?

Wolfgang Weckerle: O cliente não quer só o serviço, ele quer um diferencial. Então, porque não oferecer algo a mais? Temos um serviço de foto-acabamento, que vai de cópias a partir de uma revelação em papel, sem negativos até a revelação em preto e branco, que hoje já não é comum, e restaurações de fotos antigas, rasgadas e amareladas, por exemplo. Também não basta ser rápido na revelação, o essencial é a qualidade, portanto o material usado tem que ser o melhor.

AN: O site da Ernesto apresenta várias formas de relacionamento com o cliente. Qual a importância deste canal e onde o cliente fica mais à vontade para interagir, na loja ou pela internet?

Wolfgang Weckerle: Sem dúvida, a loja ainda é o canal preferido do cliente para expressar sua satisfação e seus anseios em relação à empresa. Fizemos recentemente uma campanha nas lojas para o cliente dizer o que acha de nossos serviços. Colocamos um bloco de anotações à disposição e, para estimular a participação, sorteamos aparelhos de TV. O retomo foi muito satisfatório. Quanto ao site, além de ter um caráter informativo e institucional, permite a comunicação com os vendedores, com a empresa e a equipe de conteúdo digital. O site também possui serviços interativos como o Try On, a enquete e o Blog.

AN: Como o cliente pode ser atendido pela internet pelo mesmo vendedor que o atende na loja?

Wolfgang Weckerle: Temos uma preocupação grande com o pós-vendas. O cliente que já tem um vendedor de sua preferência pode enviar a ele suas dúvidas e comentários através do site para ser atendido on-line ou pode falar com o gerente, se preferir. Ele "clica" sobre o endereço da loja e os nomes dos vendedores já aparecem listados. Mas trabalhamos principalmente de forma pró-ativa. Assim, cada vendedor monta seu relatório e telefona para o cliente uma semana após a venda, para saber se ele está bem adaptado às lentes e se está satisfeito de forma geral. A partir deste relatório, fazemos um serviço de mala direta personalizado, enviando apenas a comunicação que pode interessar a cada um.

AN: A Ernesto tem convênios com várias empresas. Como funcionam e quanto representam no percentual de vendas da rede?

Wolfgang Weckerle: São dois tipos de convênios. No direto, a empresa conveniada não assume nenhum compromisso, apenas oferece nossos serviços como um "plus" para os seus funcionários, e nós arcamos com os descontos. No que chamamos de convênio faturado, a empresa assume o débito do funcionário e desconta em folha de pagamento. Ao todo, os convênios representam 15% de nossas vendas.

AN: O programa de responsabilidade social "Olhar Cidadão" tornou-se uma marca da empresa. Além de arrecadar óculos usados, qual o trabalho da rede dentro desse projeto?

Wolfgang Weckerle: Sempre trabalhamos de alguma forma beneficente e há alguns anos começamos a fazer uma divulgação mais forte disso para arrecadar mais doações. Temos umas caixinhas nas lojas onde as pessoas podem depositar seus óculos antigos e, a partir dali, temos formas diferenciadas de passá-los adiante. Parte das doações são feitas para instituições que podem pagar a colocação das lentes, então negociamos valores mais baratos ou não cobramos, dependendo do caso. O mesmo acontece com pessoas que nos procuram na loja pedindo óculos em condições especiais para si ou para terceiros. Só no ano passado, atendemos mais de 200 pessoas.

AN: A imagem da empresa está sempre relacionada a marcas conceituadas e produtos em lançamento. Há algum tipo de parceria entre a Ernesto e seus fornecedores para a divulgação conjunta de produtos?

Wolfgang Weckerle: Não se trata de parceria. Os óculos que estão no site, por exemplo, nós vendemos, então temos interesse em divulgar. Com certeza, essa divulgação alia nossa marca ao que há de mais moderno no mercado, então também agregamos valor. Apesar dos quase 60 anos, a Ernesto está em dia com o que acontece na moda e com o que há de mais moderno em lançamentos e tecnologia.

AN: Como o senhor vê a Ernesto em um futuro próximo?

Wolfgang Weckerle: No momento, estamos investindo em informatização e ligação de todas as lojas em rede. Também estamos mudando o layout, praticamente reconstruindo as lojas. A imagem da empresa está muito ligada ao tempo de vida dela, o que nos dá muita credibilidade. Talvez por isso ainda não sejamos vistos como uma ótica moderna, mas - apesar da idade - ainda nos mantemos jovens. Acho que estamos no caminho certo.

Inoltz